Associação Catarinense de Preservação da Natureza
Blumenau, 26 de Maio de 2019

NOTÍCIAS

Ano Internacional da Biodiversidade (perdida)

.: 04 / Mai / 2010

Nações Unidas, 3/5/2010 – Os governantes do mundo decidiram, em 2002, reduzir a velocidade com que se extinguem as espécies vegetais e animais do planeta, e estabeleceram 2010 como prazo. Adivinhem o que aconteceu. Neste 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, os governos não só não detiveram a perda de diversidade biológica “como esta desaparece mais rapidamente do que nunca”, disse o cientista Stuart Butchart, autor principal de uma pesquisa divulgada na semana passada pela revista Science.

“Fazemos muito pouco para reduzir as pressões sobre as espécies, os hábitat e os ecossistemas”, acrescentou Butchart, do Centro de Monitoramento Mundial da Conservação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da organização BirdLife International. O estudo “Biodiversidade mundial: indicadores de declínio recente” é o primeiro que avalia os compromissos adotados em 2002 pelos Estados que fazem parte do Convênio sobre a Diversidade Biológica.

“Nossos dados mostram que 2010 não será o ano em que se deteve a perda de diversidade, mas deve ser o ano em que comecemos a considerar seriamente o assunto e aumentemos drasticamente os esforços para cuidar do que resta de nosso planeta”, disse Butchart. A publicação coincide com a nona sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas, que aconteceu em Nova York na semana passada e que se centrou no impacto dos planos de desenvolvimento nas terras nativas, onde a diversidade de espécies também está em perigo.

Isto parece contrastar com o tema adotado para o Dia Internacional da Diversidade Biológica, no dia 22 de maio: “Biodiversidade, desenvolvimento e alívio da pobreza”. Como conseguir que os projetos de desenvolvimento e proteção da natureza coexistam será o desafio, nos próximos anos, de organismos internacionais, governos e sociedade civil. “Nossa água é envenenada, nossas florestas são cortadas”, disse um orador da Coordenadoria Andina de Organizações Indígenas em um painel realizado durante o Fórum sobre o papel “devastador” das indústrias florestais e mineradoras.

Manuela Ima, presidente da Associação de Mulheres Waorani da Amazônia Equatoriana, disse à IPS que as empresas petroleiras colocaram em risco o meio ambiente de sua comunidade, na província de Pastaza, oeste do país. “No Equador, são sete companhias de petróleo. Há muita contaminação; resíduos, poluição sonora, os rios estão sujos e também o ar. Não queremos isso”, afirmou Ima.

As metas adotadas em 2002, como parte do Convênio assinado em 1992, buscam frear as extinções em massa por meio da conservação da biodiversidade genética, da proteção dos ecossistemas e das espécies, da promoção do consumo sustentável de recursos naturais e pelo aproveitamento dos conhecimentos tradicionais. A atividade humana é o maior fator de risco para a natureza, e se manifesta de diferentes formas, como a demanda por alimento, água, energia e matérias-primas, afirma o site do Convênio.

Um setor em que este desafio se expressa com especial clareza é o da agricultura e alimentação, que exerce enorme pressão sobre a natureza para alcançar rendimentos suficientes. Por isso, o Convênio promove a adoção de medidas de conservação nas políticas comerciais e nos planos de redução da pobreza. “Desde 1970, reduzimos as populações de animais em 30%, a área de mangues e pastos marinhos em 20% e os arrecifes de coral em 40%”, disse o professor Joseph Alcamo, cientista-chefe do Pnuma. “Essas perdas são insustentáveis, pois a diversidade tem uma contribuição crucial para o bem-estar e o desenvolvimento humano”, ressaltou.

Outro obstáculo para que as metas de 2002 sejam cumpridas é a evidente incapacidade dos mecanismos do Convênio para responsabilizar e obrigar governos e países a cumprirem o que prometeram. O estudo dirigido por Butchart compilou mais de 30 indicadores que medem aspectos diferentes, como mudanças nas populações de espécies, o risco de extinção, extensão dos hábitat e composição das comunidades. Um desses indicadores é a pegada ecológica, que mede o efeito da demanda agregada das atividades humanas – por meio do consumo de recursos e da emissão de resíduos e gases-estufa – sobre os ecossistemas.

Fonte: Marguerite A. Suozzi (IPS/Envolverde)


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