Associação Catarinense de Preservação da Natureza
Blumenau, 18 de Dezembro de 2018

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O rio Itajaí sangra...

.: 21 / Jan / 2015

Comentário feito por membro da JICA - Agência Japonesa, em 2009, em referência à quantidade de sedimentos presente na água. Mas, qual a origem destes?

Um olhar atento para as margens de rodovias, cidades, áreas agrícolas e estradas de terra que cortam os municípios pode-se ver sua origem.

As terraplanagens, privadas ou públicas deixam centenas de hectares de substrato desnudo à ação erosiva;

Nas estradas os frequentes cortes das margens, depósitos de terra encosta abaixo feito pelas patrolas e, o revolvimento e a recolocação do saibro no leito das estradas são fonte de milhares de toneladas de sedimentos à disposição das águas para serem transportados;

 

As áreas agrícolas desnudas pelo efeito dos herbicidas, em mais de 80% do ano, afofadas pela ação dos tratores agrícolas tem a erosão de suas superfícies potencializada pela ausente cobertura morta e pelos camalhões feitos a favor do fluxo das águas. 

 

Pesquisas mostram que de um hectare (10.000 m2) de solo desnudo pode ter arrastada cerca de 30 toneladas de terra por ano, pela erosão. Se considerarmos que temos 2.000 km2, ou seja, 200.000 ha em áreas de agricultura, estradas e áreas com terraplanagem passíveis de sofrer erosão no Vale do Itajaí, pode-se ter 6.000.000 toneladas de solo para serem transportadas, inclusive, para ribeirões e rios.

 

O Rio barrento deveria nos inquietar. Pois, significa poluição e aumento dos custos do tratamento de água, remoção dos sedimentos nos portos e perda de solos férteis.

 

Mas esse problema tem solução? Tem!

A movimentação de terra tem normas, exigindo que áreas terraplanadas e cortes em encostas devam receber cobertura de vegetação através hidro-semeadura ou plantios de vegetação herbácea.

 

O uso de capina mecânica ou com herbicidas às margens de rodovias deve ser suspenso e em seu lugar utilizar a roçada;

 

A cobertura viva ou morta do solo agrícola não deveria ser uma escolha do produtor, deveria estar entre as exigências quando do financiamento da produção agrícola.

 

Espera-se que com medidas simples e conhecidas como estas em poucos anos possamos ver o Vale e o Rio Itajaí aliviados de sua hemorragia.

Solo desnudo com camalhões de base larga para o plantio do tabaco, Ituporanga. Foto: Lucia Sevegnani

Rio barrento em Blumenau. Foto: Leocarlos Sieves


Fonte: Dra. Lucia Sevegnani - sócia da Acaprena


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