Associação Catarinense de Preservação da Natureza
Blumenau, 18 de Dezembro de 2018
 
Diagnóstico Ambiental Rápido da RPPN Caetezal, Joinville-SC – Fauna & Flora  

Equipe:
Biólogo Célio Testoni - Mastofauna
Bióloga Cintia G. Gruener - Mastofauna
Bióloga Cláudia Sabrine Brandt - Avifauna
Bióloga Fabiana Dallacorte - Anurofauna
Biólogo Guilherme Adolfo Vegini – Mastofauna
Biólogo Mario Junior Saviato – Ictiofauna
Bióloga Marcela – Flora
Bióloga Sheila – Flora

Órgão financiador: S.O.S. Mata Atlântica

Philander frenata, espécie coletada na RPPN Caetezal, popularmente conhecido como cuíca-de-quatro-olhos.
Foto: Cintia Gizele Gruener.

Em maio de 2004 juntou-se à ACAPRENA uma equipe de Biólogos e uma Assistente Social que tinham como objetivo principal a criação de uma Comissão de Projetos. Hoje, esta equipe composta por pesquisadores busca desenvolver projetos, de cunho sócioambiental e de ecologia aplicada para a conservação do meio ambiente, financiados por órgãos relacionados ao meio ambiente e empresas privadas.

Por intermédio da Dra. Lúcia Sevegnani (Pró Reitora de Extensão da FURB) foi solicitado, pelo proprietário Paulo Tajes Lindner, a equipe que desenvolvesse um trabalho de levantamento do meio biótico da RPPN Caetezal. O proprietário teve por intuito desenvolver pesquisas científicas no local como forma de fomentar verbas para a criação do Plano de Manejo da Unidade e também como forma de frear as ações antrópicas no local, como a criação de uma PCH.

Desta forma o proprietário com o projeto em mãos solicitou verbas da ONG S.O.S Mata Atlântica. Estes que receberam o projeto com grandes elogios.

O projeto foi aprovado no mês de julho de 2004 e esperou para ser realizado em campo por seis meses até a liberação das autorizações de coleta e transporte de animais e plantas do IBAMA (nº 0215/2004 – CGFAU/LIC). Com a licença do IBAMA em mãos a equipe juntamente com o Sr. Paulo Lindner realizou o diagnóstico em campo, que foi realizado entre os dias 05-09 de fevereiro de 2005.

Espécie de anfíbio (Hyla albosignata) que ocorre em riachos de águas correntes da RPPN Caetezal. Foto: Cintia Gizele Gruener.

A atual RPPN Caetezal foi reconhecida como “Refúgio Particular de Animais Nativos”, através da Portaria 56/79-P, de 09 de fevereiro de 1979. A solicitação é datada de 21 de novembro de 1977, baseada na Portaria 327/77 do I.B.D.F. De acordo com a Portaria nº 168 de 16 de novembro de 2001 o Caetezal passa a ser, definitivamente, reconhecido como RPPN. Oficiosamente (na escritura e no registro de imóveis), com uma área de 4.757,09 há passiva de aumentar com novas medições.

A RPPN Caetazal está localizada na Serra Dona Francisca (Serra do Mar), no município de Joinville, região nordeste do Estado de Santa Catarina, a 800 m.s.n.m e conta com o ecossistema de Floresta Ombrófila Densa Montana, Floresta de Transição (Ombrófila Densa para Mista) e Campos de altitude, localizados na Serra Queimada, com altitudes de 1.135 m.s.n.m. Possui cachoeiras com mais de 350 metros de queda.

Foram diagnosticadas 129 espécies da Flora e dentre estas espécies o Palmito (Euterpe edulis) se destaca em grande densidade no sub-bosque da floresta, denotando a grande conservação da floresta local. Segundo as Biólogas pesquisadoras Sheila e Marcela são registradas cinco espécies vegetais ameaçadas de extinção (Aspidosperma australe, Dicksonia sellowiana, Ocotea acyphilla, Ocotea catharinensis e Ocotea odorifera). As pesquisadoras salientam a importância das florestas de montanha que abrigam nascentes e cursos d´água, importantes na manutenção da qualidade e quantidade da água, além de proporcionarem condições para a sobrevivência da fauna local.

Foram registradas 206 espécies de aves e entre estas de destacam espécies frugívoras de médio e grande porte, uma vez que este grupo é considerado atualmente o mais ameaçado de extinção. Dentre estas espécies estão o Jacuaçu (Penelope obscura), o Tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), o Corocochó (Carponis cucullata) e a Araponga (Procnias nudicollis). Segundo a Bióloga pesquisadora da Avifauna Claudia S. Brandt 29.33% das espécies registradas para a RPPN Caetezal são endêmicas de Floresta Atlântica, isto quer dizer que só existem neste Bioma.

Quedas do rio Cubatão no interior da RPPN Caetezal. Foto: Cintia Gizele Gruener.

A Bióloga pesquisadora da Mastofauna Cíntia G. Gruener levantou 7 espécies de morcegos, duas destas espécies (Artibeus fimbriatus e Chiroderma doriae) são endêmicas de Floresta Atlântica e uma delas endêmica das florestas do sul do Brasil. Dentre as sete espécies seis são espécies dispersoras de sementes, por serem frugívoras, bem como se alimentam de insetos e de polém de plantas, denotando a imensa importância deste grupo para a manutenção e recuperação dos ambientes florestais da Unidade de Conservação. Para confirmar estes dados a pesquisadora recolheu as fezes destes animais, quando coletados em redes de neblina, e confirmou que as sementes encontradas eram de espécies vegetais pioneiras, isso quer dizer que se estabelecem por primeiro em áreas de recuperação ambiental.

Uma das metodologias utilizadas pela equipe consiste em entrevistar moradores próximos a área estudada, esta metodologia foi possível devido ao bom relacionamento do Sr. Paulo Lindner com o entorno de sua área. Ele registrou espécies importantes como o Bugio (Allouatta guariba) ameaçada de extinção, o Macaco-prego (Cebus apella), a Lontra (Lontra longicaudis) também ameaçada de extinção em algumas listas estaduais de fauna ameaçadas, como também o Gato-do-mato (Leopardus tigrinus). Outro felino registrado por entrevista foi o Puma (Puma concolor) também ameaçado de extinção por decorrência da caça e destruição do hábitat. Foi registrado pelo Biólogo pesquisador da Mastofuna Célio Testoni o felino chamado de Jaguarundi (Herpailurus yaguarondi) cuja espécie também encontra-se ameaçada de extinção em três estados brasileiros.

Segundo os Biólogos da Mastofauna Célio Testoni, Guilherme Vegini e Cíntia Gruener foram registrados doze espécies ameaçadas de extinção e dez espécies endêmicas de Floresta Atlântica, além de revelar novas ocorrências de espécies de morcegos para o Estado de Santa Catarina. Como exemplo o mamífero de pequeno-porte Oxymicterus judex que é uma espécie endêmica de Floresta Atlântica e o Rato-da-taquara (Kannabateomys amblyonyx) que é ameaçado de extinção devido à alteração do hábitat.