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Excursão Filhote Morro Baú 6/8/2023 Publicado em: 10/08/2023 às 17:25 Em continuidade as atividades alusivas aos 50 anos da ACAPRENA, foi realizada a excursão e caminhada ao Parque Natural Municipal Morro Baú. Contou com presença de 29 participantes, coordenada pelo educador ambiental Leocarlos Sieves com apoio do guia Frederico André Deeke e do bombeiro comunitário Anilton Ricardo Junckes. O grupo partiu do pátio da FURB e fez uma parada na comunidade Baú Seco para visitação à igreja da Imaculada Conceição. Ela foi construída em 1928, com madeira de árvores cortadas na própria região e serradas numa serraria que ficava nas proximidades da igreja. Esta igreja é considerada uma raridade por sua beleza, antiguidade e singularidade do material de sua construção e por encontrar-se bem conservada. Na igreja o grupo pode conversar com moradores locais, fazer orações e até os mais devotos cantarem um hino a Nossa Senhora. Ao lado da igreja há um cemitério, onde estão sepultadas algumas das 135 vítimas do desastre ambiental ocorrido em novembro de 2008. Chamou atenção para uma sepultura de cinco membros de uma mesma família vitimados no mesmo dia por esta tragédia climática. Em seguida o grupo seguiu até a entrada do Parque Botânico Morro Baú, onde teve uma apresentação do associado e secretário da ACAPRENA, Aloisius Carlos Lauth, ex-presidente do Herbário Barbosa Rodrigues, de Itajaí, proprietário do referido parque. Segundo este, padre Raulino Reitz criou o HBR em 1947 e sua coleção tornou-se exemplar pela coleta frequente de espécies botânicas no período de 1952 a 1964. Em 1960, depois da formação técnica em microbotânica e madeira, o padre Reitz adquiriu as terras da família Buettner, empresários têxteis de Brusque, pagando de seu próprio bolso, financiado pelo Banco Inco. Os americanos criam instituições botânicas para manter espaços vivos, e este era o sonho do padre Reitz. Porém, com sua morte em 1990, a associação perdeu a manutenção financeira que vinha de projetos botânicos de sua equipe. Assim, em 2015 o Sr. Aloisius assumiu a diretoria do HBR já em crise financeira e depauperada de atividades científicas. Havia um projeto de vender o parque do Morro Baú para a Prefeitura Municipal de Ilhota, mas o processo não seguia em frente. O recurso para a compra viria da indenização pela compensação ambiental da empresa BMW ao se instalar em Araquari SC, estimada em 4,2 milhões. A área seria vendida pelas terras escrituradas que eram de 520 hectares, mas a planta original do padre Reitz estava com 750 hectares, em parte pela imprecisão das medições da área feitas de forma braçal com réguas de bambu e cordas feitas no meio da mata. As tratativas ocorreram com o prefeito de Ilhota que aceitou a transferência a partir de uma indenização pelo HBR no valor de 11 km de estradas asfaltadas ao redor do Baú, fato que foi contestado pela diretoria do HBR. Também um grupo de ambientalistas se aproximou disponibilizando um Plano de Manejo, que retirava a presença total do HBR. A direção recomendava a manutenção de uma área de 8 hectares junto ao antigo prédio de entrada do parque, pois eram de plantas exógenas históricas e que serviriam de instrumentais para pesquisa futura em sua dispersão. Nada se efetivou e Aloisius Lauth se retirou da direção em 2019 para dirigir os trabalhos do Centenário de Nascimento de Padre Raulino Reitz. Em 2022, a reitoria da UNIVALI aceitou a administração do HBR e do parque incluso. E assim se efetivou o pagamento de 750 mil reais pelas terras do Baú, devendo a prefeitura de Ilhota implantar o referido parque, o que é esperado há muito tempo. Feitas estas explanações a caminhada iniciou, seguindo pela antiga estrada e seguiu até o início da trilha a pedra do "Filhote do Baú", uma trilha com floresta exuberante e conservada, com presença de árvores raras, por terem sido exploradas e quase exauridas em outros lugares, como a canela-preta, Ocotea catharinensis e com muitas bromélias, helicônias e árvores nativas de grande porte, além de curiosas formações rochosas, conforme destaca o professor Giasson, integrante da caminhada. Parada em alguns momentos para descanso, para coletar água e para reparar atos lesivos ao local, como marcação de árvores e rochas aconteceram, sinais de visitantes ainda inconscientes e não preparados para usufruir do contato com a natureza. Muitos troncos de palmeiras cortadas para extração ilegal de palmito também foram vistos, o que demandou tristeza e consternação, pelo atual abandono do local, que já foi muito bem cuidado e vigiado. Roberto Miguel Klein, o conservador e pesquisador do HBR residiu no local por anos. A caminhada foi longa e cansativa, porém muito aprazível. Alguns participantes com mais agilidade adiantaram-se ao grupo principal e acabaram passando da entrada da trilha, indo em direção ao cume do morro, o que demandou um resgate pelo apoio até que os desgarrados fossem reagrupados ao grupo maior. Os caminhantes com menos agilidade foram apoiados integralmente pelos demais do grupo, o que possibilitou que todos os participantes chegassem ao destino final, no caso, a bela Pedra do Filhote, um importante atrativo desse parque botânico, agora considerado Parque Natural Municipal Morro Baú, do município de Ilhota, que urge por melhor cuidado e implementação. No caminho além de plantas, árvores, conversas temáticas, a partir de um determinado trecho, todos puderam contemplar enormes rochedos de formações geológicas específicas, principalmente o arenito conglomerado típico do maciço do morro Baú. A Pedra do Filhote, uma formação rochosa dividida em duas partes por uma fenda, possibilita a travessia da pedra e proporciona uma visão espetacular da formação e da paisagem que dela se descortina.
O casal Lauro e Êdela, que passaram a lua-de-mel na localidade de Baú, a três quilômetros da sede do Parque, puderam rever o local, 47 anos depois do acontecimento. Também o casal Juciane Maria Werner Garcia e Pedro Bento Garcia estiveram na caminhada, como forma de honrar e homenagear o filho João Pedro, biólogo, estudioso e amante desta montanha, vitimado por um acidente trágico em que perdeu a vida. Este rapaz, teve uma visão privilegiada de um tamanduá ali naquela trilha. As imagens do evento, foram cedidas pelos pais e são agora compartilhadas, pela ACAPRENA, como forma de conscientizar a importância do Morro Baú e como homenagem ao João Pedro. Terminada mais essa exitosa promoção da ACAPRENA, entidade com vocação ao preservacionismo, ficou a determinação de que a entidade irá fomentar o debate sobre a construção de uma viabilidade para que o Parque Natural Municipal Morro Baú seja efetivado como unidade de conservação e sua fiscalização e manutenção volte a ser, aquilo que o seu idealizador, Raulino Reitz sonhou para o futuro. |
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