O Ribeirão Branco em Blumenau (SC) agora é escuro Publicado em: 23/01/2008 às 08:34
BLUMENAU - A coloração escura e o mau cheiro denunciam a agressão ambiental no Ribeirão Branco, Bairro Passo Manso. Moradores reclamam que o depósito de esgoto sanitário no local contribui para a mortandade de peixes e cobram fiscalização por parte do poder público. A situação incomoda a comunidade que reside em frente ao número 1.855 da Rua Guilherme Poerner, próximo à empresa de embalagens Rigesa.
- Moro aqui desde 1999, e acompanho o problema desde então. O esgoto é jogado a céu aberto. Sempre achei muito errado, mas a gente não tem gerenciamento sobre isso - comenta a assistente social Marlise Cisz, 43 anos.
- É uma demonstração clara de que não há canalização adequada de esgoto. Como podem liberar uma obra sem atender a esse requisito? - reclama a operadora de caixa Rosemar Vieira, 34.
- Isso aqui é um crime ambiental - resume o morador Israel Machado, 43.
De acordo com Jair Valmir Meurer, síndico do Condomínio Orquídeas, em frente à propriedade da empresa Rigesa, onde passa o ribeirão, a Vigilância Sanitária esteve no local para apurar o caso.
O presidente da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Faema), Jorge Müller, afirma que ainda não concluiu de quem é a responsabilidade pelo depósito de esgoto no Ribeirão Branco. Segundo ele, técnicos do Samae vão ajudar a identificar de onde vêm os resíduos. A expectativa é de que as causas do problema sejam apuradas hoje. Feita a identificação, a Faema pode aplicar multa de até R$ 50 mil e cobrar ressarcimento de questões ambientais a partir de compensação ou programas de educação ambiental.
- É um problema de saúde pública. Vamos nos concentrar em identificar a origem do derrame do esgoto e tomar as medidas necessárias - garante Müller.
Segundo ele, como a poluição no ribeirão ocorreu por matéria orgânica e não por produto químico, a recuperação torna-se mais fácil. Medidas emergenciais, como a limpeza de pontos críticos, serão adotadas.
( magali.moser@santa.com.br ) 
Empresa diz que dá destino adequado aos resíduos |

A água comprometida do Ribeirão Branco está na propriedade da empresa de embalagens Rigesa, que construiu uma pequena represa onde passa o curso dágua para uso industrial. Segundo a empresa, a situação no local se agravou nos últimos cinco anos com o crescimento urbano da região.
- Ainda temos uma reserva na captação, mas a situação já é preocupante. Teremos de investir na limpeza do ribeirão, mas não adianta limpá-lo se a poluição continuar. Estamos tranqüilos porque nós damos o destino adequado para o esgoto - ressalta o gerente-administrativo da empresa, Wilson Furlani.
- A quantidade de água do ribeirão diminui nessa época do ano com a redução das chuvas, mas como a produção de esgoto continua a mesma, causa um desequilíbrio. Estamos cumprindo nosso papel. Vamos aguardar a definição dos órgãos ambientais - completa o técnico de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Rigesa, Paulo César de Melo.
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